Machucados em diabéticos

Quando eu me tornei diabética, recebi vários avisos, coisas que eu deveria usar ou me preocupar para o resto da vida. Um desses avisos era sobre a dificuldade de cicatrização de um machucado em uma pessoa diabética. Isso porque o excesso de açúcar no sangue afeta a circulação, a capacidade do organismo de combater uma infecção e prejudica o processo de cicatrização.

Lembro-me mais de uma vez ser aconselhada, por diversas pessoas, a parar de fazer a unha, principalmente a dos pés, para evitar que a manicure “tire um bife” e que esse machucado vire um problema.

Desobedecendo o conselho, faço as unhas das mãos e dos pés com frequência e nunca tive nenhum transtorno com isso. Pode ser que o fato de minha manicure ser extremamente profissional e não tirar nenhum “bife”, ajude bastante nisso.

A questão é que nunca havia enfrentado essa batalha contra a cicatrização de machucados, até porque sou uma pessoa que não se machuca com frequência, graças a Deus. Ao contrário de alguns amigos, eu nunca quebrei nenhum osso do corpo, nunca destronquei, torci, desloquei nada! Acho isso sensacional hahaha

Maaaas, em junho desse ano passei por essa fase da “dificuldade de cicatrização em diabéticos”. Devo dizer que me preocupei bastante, mas não fui ao médico por causa disso.

O caso foi o seguinte: tropecei. Pois é, eu sei que é ridículo e bobo, mas foi exatamente isso que aconteceu. Eu estava em uma festa, estava indo embora inclusive, me despedindo de alguns amigos, e sem perceber, tropecei em alguma coisa de pedra que estava no canto, nem sei o que era para falar a verdade.

Dentro do carro, no caminho de volta à minha casa, percebi que minha canela estava latejando e comentei com meu noivo: “Nossa, esse machucado vai ficar roxo, porque está doendo”.

Chegando em casa, fui tirar a meia-calça que estava usando e ela estava toda grudada no machucado, que estava cheio de sangue. No momento que eu tropecei, eu não havia percebido que o machucado tinha sido nesse nível, de sair sangue.

E estava assim:


Lavei, passei merthiolate. Dois dias depois ele estava assim, com essa coisa branca no meio e infeccionado ao redor:


Mais de duas semanas depois, ele ainda estava infeccionado:


Depois de uma mês e meio, eu carrego mais uma cicatriz:


Nada bonito e nunca demorou tanto para que um machucado cicatrizasse. Eu ficava de olho na glicemia, pensando se não eram aqueles momentos de hiper que estavam atrasando a cicatrização.

Difícil essa vida de diabética, viu. Quando a gente acha que já está preparada para as surpresas da DM, vem um bloco de concreto e avacalha sua vida 


O que não recebi em Julho


O QUE NÃO RECEBI EM JULHO


- Fitas de glicemia capilar
Enlite Sensor de glicose MMT 7008A - caixa com 5 unidades e 10 adesivos externos - 1 caixa/mês
Insulina Humalog - 2 frascos

Parece que quando passa da metade do ano, a verba declina. Ano passado, nesse mesmo período, eu só estava recebendo reservatório. E agora começou a faltar mais insumos. Desde o início do ano, esse é o mês que faltou mais insumos.

E para completar, o monopólio da Drogaria Onofre com a venda do FreeStyle Libre tá cada vez pior: o valor do frete dobrou e aumentaram +3 dias úteis no prazo de entrega. Mas eu recebi meu pedido em nada menos do que 10 dias úteis. Isso dá duas semanas, ou seja, deverei efetuar minha próxima compra quando eu iniciar um novo sensor, para que o produto chegue antes de acabar o sensor que estarei usando.

#Vergonha desse país!

O que não recebi em Junho


O QUE NÃO RECEBI EM JUNHO


- Fitas de glicemia capilar

Uma diabética na tirolesa

Autocontrole é tudo nessa vida. Às vezes, minha glicemia se altera, para mais ou para menos, ainda que eu não coma nada. Se fico nervosa, sobe. Se choro, sobe. Se fico muito alegre, desce, e por aí vai.

Independente de qualquer coisa, o importante é não deixar que ninguém diga que, por causa do diabetes, não podemos fazer algumas coisas! Faça tudo que for possível, claro, respeitando o limite de cada um.

Eu por exemplo, me aventurei em uma descida de tirolesa. A preocupação número 1 era não deixar a bomba cair rsrs A preocupação número 2 era com a glicemia, pois quando foi se aproximando o momento de pular, a glicemia começou a cair. Pensa na situação de sofrer uma hipo nas alturas?

Ainda que seja bem rapidinho (a descida demora menos de 1 minuto), pode ser perigoso. Então, quando ainda estava na fila para colocar os equipamentos, eu parei a bomba, ou seja, suspendi o envio de insulina para meu meu corpo. Alguns minutos depois, ela começou a subir lentamente, ficando na casa dos 90.


E a descida foi ótima, dá um friozinho na barriga! E não me arrependo, é só se cuidar que tudo pode ser aproveitado.



Gripou? Não entre em pânico

Sabe o que é pior quando eu fico gripada? É saber que isso vai descontrolar minha glicemia.

A gripe, além de todos aqueles sintomas clássicos super chatos, traz para nós, diabéticos, esse presentinho extra: ela aumenta os níveis de nossa glicemia, bagunçando nosso controle, que cá pra nós, já é difícil demais de fazer, e voilà, temos uma hiperglicemia difícil de domar.

E é comum que isso aconteça, pois nosso corpo começa a trabalhar para eliminar a infecção do organismo e nesse momento, vários hormônios são produzidos. Alguns deles têm impacto direto na glicemia.

O que devemos fazer é continuar tratando a hiperglicemia, somos diabéticos e não podemos esperar que o nosso corpo faça isso sozinho, porque ele não consegue.

Não entre em pânico quando a glicemia não abaixar, mesmo com várias unidades de insulina aplicadas. Eventualmente, ela vai cair, só que precisamos monitorar mais de perto a glicemia para conseguir controlar da melhor forma.

Eu mesma comecei a apresentar sintomas da gripe numa sexta-feira e, de meio-dia à meia-noite, foi impossível controlar minha glicemia. E olha que eu estava com o sensor Enlite, ou seja, eu estava com monitorização contínua da glicose. Mas ela sempre ficava entre 176 e 210. Pensa no desespero que dá ficar 12h com a glicemia acima de 170? Só melhorou no dia seguinte, acordei com ela em jejum 111.


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