Diabética na piscina pode?

O destino é o Tauá, um resort em Caeté, cidade que fica pertinho de BH. O lazer do resort fica por conta especialmente das piscinas e da comida à vontade. Perigo à vista hahaha mas eu encaro!

Para mim, como usuária de bomba de insulina, é sempre mais difícil equilibrar o controle da glicemia quando tem piscina envolvida. Isso porque a bomba não é a prova d’água. Então, quando eu entro na piscina, eu preciso desconectar a bomba e fico grandes períodos sem receber a dose de basal da insulina.

É porque uma vez dentro da piscina, principalmente quando tem mais gente, eu perco a noção do tempo. Chego a ficar 1 hora dentro da piscina e quando me dou conta, tenho que sair igual uma louca, pois 1 hora com a bomba desconectada é muito tempo.

O resultado é sempre uma glicemia instável, que sobre muito e depois cai com o bolus de correção que eu aplico.

A piscina é o obstáculo nº 2, porque o obstáculo nº 1 é sempre a comida! Uma variedade enoooorme de comida que dificulta a contagem de carboidratos. Então nesses casos, a contagem é sempre aproximada. Apesar de escolher várias opções, eu sempre, sempre, sempre coloco porções muito pequenas de cada coisa. E com o Libre fica mais fácil identificar se a contagem deu certo ou não, por causa do gráfico de tendência.

Lembro que quando eu usava o tratamento com canetas de insulina, era mais fácil controlar essa questão de ficar na água, porque a dose de basal não era “interrompida”, como acontece agora com a bomba. Mas todo tratamento tem seu ônus e bônus, o importante é se adaptar ao tratamento que é específico para cada um.

Eu, por exemplo, não largo meu tratamento com a bomba de insulina, pois mesmo com essa dificuldade em relação ao lazer na piscina, a maior parte do tempo eu vivo fora da piscina rsrsrs. Sendo assim, não justifica eu pensar em outro tipo de tratamento só porque eu preciso ficar menos tempo na piscina, isso a gente dá um jeitinho de encontrar um meio termo para se divertir e ainda cuidar da glicemia.


O recall da Medtronic

A Medtronic anunciou em setembro um recall em lotes específicos dos conjuntos de infusão da bomba de insulina. Eu vi essa notícia no Facebook e não dei muita importância não. O recall era mundial.

Em outubro, recebi 3 cartas da Medtronic informando sobre o recall e então eu decidi verificar os lotes das 4 caixas que eu tinha aqui em casa.

Resultado: todas elas estavam no recall e precisam ser trocadas.

Fiquei desesperada. Sério, meu chão caiu e eu não sabia o que fazer.

Como posto mensalmente aqui no blog, há muitos meses eu não recebo o conjunto de infusão da secretaria de saúde. Para “compensar”, eu acabo usando cada cateter por 4 ou 5 dias (eu coloco insulina no reservatório para que dure por 4 dias, às vezes, eu utilizo menos insulina, consequentemente, o reservatório acaba durando 5 dias. Mas esse é o máximo de tempo que uso o mesmo cateter e quase nunca chega a durar 5 dias). Assim, vou fazendo minha reserva de conjunto de infusão, uma vez que o tratamento é de alto custo e não consigo comprar os insumos que faltam todos os meses.

Que falta de sorte a minha em ter 4 caixas reservas, no período em que eu não estou recebendo os insumos e todas as 4 estarem no recall.

A primeira coisa que consegui pensar foi: vou comprar uma caixa e ir me virando com ela, até a Medtronic trocar as outras 4.

Liguei no 0800 e quase chorei ao telefone quando a atendente falou que a caixa com 10 unidades aumentou para R$ 813,00!!! Fiquei sem fala. Comprei, a contragosto.

O 0800 tem uma opção para falar somente sobre o recall, é a opção 4, que nunca atende. Então eu aperto qualquer outro número (2 ou 3) e peço para me transferirem.

Consegui, com muito custo, falar com alguém sobre o recall. Me explicaram o seguinte:

> Eu tinha 4 caixas fechadas e 1 aberta, em uso, que estavam no lote do recall;
Dentro de 15 dias úteis, a partir daquela ligação, a Medtronic iria em minha casa recolher as 4 caixas fechadas e eu deveria entregar as unidades restantes da caixa aberta. Fizemos as contas e eu devolveria 5 unidades;
Então, eu teria direito a receber 5 novas caixas fechadas;
A troca seria feita da seguinte forma: em 15 dias úteis, quando a Medtronic fosse recolher as 4 caixas + 5 unidades, ela deixaria apenas 1 caixa com novo lote. As outras 4 as quais eu teria direito, seriam entregues de forma mensal, mais ou menos 1 semana antes da caixa que eles me deram acabar;
Eu achei a ideia péssima, porque às vezes a cânula dá problemas e é preciso trocar, perdendo assim uma unidade. Dessa forma que a Medtronic sugeriu, eu não teria nenhuma unidade sobressalente, ou seja, eu não teria o direito de errar. Mas era a única opção, então eu disse ok.

Essa ligação aconteceu dia 04/10/17. A Medtronic deveria ter ido a minha casa recolher as caixas com lotes comprometidos e me devolver uma caixa com novo lote no dia 26/10/17.

Hoje é dia 19/11, já se passaram 29 dias úteis, 46 dias corridos, considerando que tivemos 3 feriados nacionais durante esse tempo, e até hoje NADA! Já liguei 3 vezes, perguntando, reclamando e o retorno é sempre o mesmo: "a demanda é grande, estamos com dificuldades de atender a todos no prazo."

E aí?

E aí que eu continuo usando as caixas de conjunto de infusão com o lote que indicam que podem estar danificadas, o tal lote com recall. Visto que a caixa que eu comprei nunca chegou (foi outra batalha que travei com o financeiro da Medtronic, que não faturava meu pedido mesmo depois da operadora do cartão de crédito já ter autorizado a compra). Por fim, eu cancelei a compra e continuei usando o cateter do recall mesmo.

Para saber se você está na mesma situação que eu, acesse o site e verifique o lote de sua caixa: checklots.medtronicdiabetes.com/Brazil/Portuguese

Eu que sempre elogiei a Medtronic, no zelo com o cliente, na forma de tratar e lidar com as resoluções técnicas de problemas de funcionamento da bomba, agora me sinto descoberta e sem voz. Com medo de usar algo que substancialmente me garante um bom controle glicêmico, logo melhora a minha qualidade de vida.

A palavra é essa: MEDO.




O que não recebi em Setembro e Outubro


Como eu já contei em posts anteriores, chega o final do ano e eu fico cada vez mais desanimada com a situação da entrega dos insumos. A cada mês recebo menos insumos, até chegar o mês em que não recebo nada, como aconteceu nos anos anteriores.


O QUE NÃO RECEBI EM SETEMBRO

- Fitas de glicemia capilar
Enlite Sensor de glicose MMT 7008A - caixa com 5 unidades e 10 adesivos externos - 1 caixa/mês
Insulina Humalog - 2 frascos


O QUE NÃO RECEBI EM OUTUBRO

Conjunto de infusão Paradigm Quick Set MMT 399 - 6mm, tubo de 60 cm, caixa com dez unidades - 1 caixa/mês
- Fitas de glicemia capilar
- Enlite Sensor de glicose MMT 7008A - caixa com 5 unidades e 10 adesivos externos - 1 caixa/mês
Insulina Humalog - 2 frascos


Como dormir com a bomba?

A maioria das pessoas quando fica sabendo que eu uso bomba de insulina me perguntam: não incomoda para dormir?

Incomoda um pouco sim, mas depois que eu pego no sono, eu nem percebo mais que estou com a bomba. Tanto é que, várias vezes, eu acordei com o fio do cateter todo enrolado em volta da minha cintura ou com o fio meio embolado.

Eu durmo na cama de cima de um beliche, uma vez ao acordar, puxei o fio da bomba e ela estava pendurada para o lado de fora da cama. No outro incidente mais sério, o cateter estava na perna esquerda, durante a noite, o fio se enrolou em volta da minha cintura e arrebentou. E eu só percebi porque a glicemia estava super alta, então, deitada mesmo, eu apliquei o bolus de correção e de repente comecei a sentir algo molhado na minha perna. Foi então que vi o fio arrebentado. Inclusive, contei aqui nesse post o ocorrido =)

Dá pra dormir com a bomba presa na cintura, mas eu geralmente durmo com ela solta, do meu lado. E é justamente por isso que o fio embola, porque quando eu durmo com ela presa na cintura, nada acontece com o fio.

Lembra quando a gente é criança e dorme com um bichinho de pelúcia na cama? A ideia é mais ou menos essa, só que a bomba agora é meu bichinho de pelúcia.

Uma diabética no frio do Chile

Mais um destino de uma diabética viajante: Chile.


Peguei minha malinha e parti para o Chile, com o objetivo principal de conhecer neve!
Eu nunca havia conhecido neve, geralmente as viagens que faço são para lugares quentes ou em épocas quentes, como no verão, por exemplo. Por isso, o sol é sempre um companheiro de viagem.

Fui para o Chile na primeira semana de outubro, na primavera, ou seja, fora da temporada de neve no local, que acontece no inverno, principalmente nos meses de julho e agosto. Cruzei os dedos e contei com a sorte de chover na Cordilheira dos Andes um dia antes da data de minha viagem. Assim, saí de casa com a certeza de que veria neve, e vi!

Nessa viagem, tive mais um companheiro: o Libre. Foi a primeira vez que viajei para fora do país com o Libre. Em 2015 viajei com o Enlite, mas com o Libre era a primeira vez.

Levei meu kit de sobrevivência de sempre: dois frascos de insulina com gelo reutilizável dentro da bolsinha térmica, 8 unidades do conjunto de infusão (cateter), 8 reservatórios, aplicador, uma cartela de pilha AAA, seringas e um sensor novo do Libre. Isso tudo para ficar no país por 7 dias. Levei tudo na mala de mão e passei pela imigração sem problema algum. Na bandeja, antes de passar pela porta de detector de metais, sempre deixava meu celular, passaporte, relógio e o aparelho leitor do Libre. Bomba e Libre ligados e funcionando o tempo todo.

De BH a Santiago devo ter gasto mais ou menos umas 8 horas de viagem. Então a insulina sobreviveu de boa, até porque eu já tinha passado por uma experiência de 9 horas de viagem de BH a Brasília, que se você ainda não leu, é só clicar nesse link aqui.

Do avião, avistei a Cordilheira dos Andes, coberta de neve! Chegando em Santiago, o clima era outro, apesar de estarmos na primavera, fazia muito frio pela manhã e à noite, e na parte da tarde era um calor danado.

Dia 1: conhecer neve! Hahaha. Já que o objetivo era esse, por que postergar, não é?! Fomos a duas estações de esqui, que estavam fechadas, já que, como eu disse, a temporada já havia passado. A primeira parada foi Valle Nevado, que foi onde aconteceu o real contato com a neve.



Estava parecendo o boneco da Michelin, por causa dessa roupa impermeável própria para a neve. Rodeada de neve, branquinha e congelante, eu estava sentindo um calor insuportável. Parecia que o sol estava mais perto, que estava refletindo na neve branca e queimando meu rosto, não sei o que aconteceu, mas a minha vontade era de colocar um biquíni e estender uma canga bem ali, naquele monte de neve.

Em Farellones, passamos rapidamente, pois a estação realmente estava fechada :(
Reparem que o calor já tinha tomado conta do meu ser e eu já estava de blusinha de manga curta.


Objetivo: cumprido!

Nos dias 2 e 3 conheci o centro de Santiago e seus cerros (morros) com mirantes belíssimos.

O dia 4, ahhh o dia 4 foi especial. Conheci um lugar que criou raízes eternas em minha memória. Um dos lugares mais bonitos que já tive o prazer de ver pessoalmente, uma vista incrível, de encher os olhos: Cajón del Maipo.



Só isso, só essa vista, já me bastaria para ficar feliz. Mas eu e meu noivo decidimos fazer nossas fotos de “Save the Date” neste local. E olha, elas ficaram incríveis! (em primeira mão aqui no blog)


E como se tudo já não tivesse sido perfeito o suficiente, ainda tivemos um piquenique ao final do passeio. Confesso que tive dificuldades para fazer a contagem de carboidratos: tomei duas taças de vinho, comi uns doritos, salaminho, umas batatinhas chips, uns biscoitinhos com patê. Enfim, foi no “achômetro” mesmo. Mas aqui são somente 10 anos de experiência em contagem de carboidratos, então dá uma olhada nesse antes-depois da glicemia:



Observação extra: esse foi o dia mais frio de toda a viagem. Quando olhei no celular, estava marcando 9ºC, mas tenho certeza que deve ter feito uns 6ºC ou menos. No início, cada pedacinho do corpo parecia congelado, principalmente o rosto. Depois, eu acabei me acostumando com a temperatura. Mas nem o frio atrapalhou a experiência de viver esse dia incrível.



Também conheci lugares lindos como Valparaíso e Viña del Mar, cidades do litoral do Oceano Pacífico:




Visitei a vinícola Concha y Toro:




Jantei no restaurante Giratório - outra experiência incrível, o restaurante fica no 18º andar de um prédio que tem uma vista de 360ºC para a cidade de Santiago. O mais legal é que o restaurante gira, bem devagar, enquanto a gente janta e contempla a paisagem. A gente começa a jantar em um ponto do restaurante e termina do lado oposto.


Falando em vista, visitei também o Sky Costanera, que é o prédio mais alto da América Latina. Vi o pôr do sol e as luzes da cidade se acendendo. #whataview



Com o Libre, foi muito fácil controlar o diabetes, ainda que eu não soubesse ao certo a quantidade de carboidratos de tudo que eu comi durante a viagem, eu sempre conseguia me guiar pelo gráfico de tendências do Libre. Gente, sério, o Libre é vida!!! O fato do país ser frio, não alterou em nada minha rotina ou a aplicação da insulina (não dói mais porque a temperatura está mais fria) e nem a própria insulina (não congela, não fica turva, nada disso acontece).

Mais um carimbo no passaporte e mais uma enxurrada de memórias vividas. Termino esse textão com a certeza de que o diabetes não nos limita!


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