Uma diabética no frio do Chile

Mais um destino de uma diabética viajante: Chile.


Peguei minha malinha e parti para o Chile, com o objetivo principal de conhecer neve!
Eu nunca havia conhecido neve, geralmente as viagens que faço são para lugares quentes ou em épocas quentes, como no verão, por exemplo. Por isso, o sol é sempre um companheiro de viagem.

Fui para o Chile na primeira semana de outubro, na primavera, ou seja, fora da temporada de neve no local, que acontece no inverno, principalmente nos meses de julho e agosto. Cruzei os dedos e contei com a sorte de chover na Cordilheira dos Andes um dia antes da data de minha viagem. Assim, saí de casa com a certeza de que veria neve, e vi!

Nessa viagem, tive mais um companheiro: o Libre. Foi a primeira vez que viajei para fora do país com o Libre. Em 2015 viajei com o Enlite, mas com o Libre era a primeira vez.

Levei meu kit de sobrevivência de sempre: dois frascos de insulina com gelo reutilizável dentro da bolsinha térmica, 8 unidades do conjunto de infusão (cateter), 8 reservatórios, aplicador, uma cartela de pilha AAA, seringas e um sensor novo do Libre. Isso tudo para ficar no país por 7 dias. Levei tudo na mala de mão e passei pela imigração sem problema algum. Na bandeja, antes de passar pela porta de detector de metais, sempre deixava meu celular, passaporte, relógio e o aparelho leitor do Libre. Bomba e Libre ligados e funcionando o tempo todo.

De BH a Santiago devo ter gasto mais ou menos umas 8 horas de viagem. Então a insulina sobreviveu de boa, até porque eu já tinha passado por uma experiência de 9 horas de viagem de BH a Brasília, que se você ainda não leu, é só clicar nesse link aqui.

Do avião, avistei a Cordilheira dos Andes, coberta de neve! Chegando em Santiago, o clima era outro, apesar de estarmos na primavera, fazia muito frio pela manhã e à noite, e na parte da tarde era um calor danado.

Dia 1: conhecer neve! Hahaha. Já que o objetivo era esse, por que postergar, não é?! Fomos a duas estações de esqui, que estavam fechadas, já que, como eu disse, a temporada já havia passado. A primeira parada foi Valle Nevado, que foi onde aconteceu o real contato com a neve.



Estava parecendo o boneco da Michelin, por causa dessa roupa impermeável própria para a neve. Rodeada de neve, branquinha e congelante, eu estava sentindo um calor insuportável. Parecia que o sol estava mais perto, que estava refletindo na neve branca e queimando meu rosto, não sei o que aconteceu, mas a minha vontade era de colocar um biquíni e estender uma canga bem ali, naquele monte de neve.

Em Farellones, passamos rapidamente, pois a estação realmente estava fechada :(
Reparem que o calor já tinha tomado conta do meu ser e eu já estava de blusinha de manga curta.


Objetivo: cumprido!

Nos dias 2 e 3 conheci o centro de Santiago e seus cerros (morros) com mirantes belíssimos.

O dia 4, ahhh o dia 4 foi especial. Conheci um lugar que criou raízes eternas em minha memória. Um dos lugares mais bonitos que já tive o prazer de ver pessoalmente, uma vista incrível, de encher os olhos: Cajón del Maipo.



Só isso, só essa vista, já me bastaria para ficar feliz. Mas eu e meu noivo decidimos fazer nossas fotos de “Save the Date” neste local. E olha, elas ficaram incríveis! (em primeira mão aqui no blog)


E como se tudo já não tivesse sido perfeito o suficiente, ainda tivemos um piquenique ao final do passeio. Confesso que tive dificuldades para fazer a contagem de carboidratos: tomei duas taças de vinho, comi uns doritos, salaminho, umas batatinhas chips, uns biscoitinhos com patê. Enfim, foi no “achômetro” mesmo. Mas aqui são somente 10 anos de experiência em contagem de carboidratos, então dá uma olhada nesse antes-depois da glicemia:



Observação extra: esse foi o dia mais frio de toda a viagem. Quando olhei no celular, estava marcando 9ºC, mas tenho certeza que deve ter feito uns 6ºC ou menos. No início, cada pedacinho do corpo parecia congelado, principalmente o rosto. Depois, eu acabei me acostumando com a temperatura. Mas nem o frio atrapalhou a experiência de viver esse dia incrível.



Também conheci lugares lindos como Valparaíso e Viña del Mar, cidades do litoral do Oceano Pacífico:




Visitei a vinícola Concha y Toro:




Jantei no restaurante Giratório - outra experiência incrível, o restaurante fica no 18º andar de um prédio que tem uma vista de 360ºC para a cidade de Santiago. O mais legal é que o restaurante gira, bem devagar, enquanto a gente janta e contempla a paisagem. A gente começa a jantar em um ponto do restaurante e termina do lado oposto.


Falando em vista, visitei também o Sky Costanera, que é o prédio mais alto da América Latina. Vi o pôr do sol e as luzes da cidade se acendendo. #whataview



Com o Libre, foi muito fácil controlar o diabetes, ainda que eu não soubesse ao certo a quantidade de carboidratos de tudo que eu comi durante a viagem, eu sempre conseguia me guiar pelo gráfico de tendências do Libre. Gente, sério, o Libre é vida!!! O fato do país ser frio, não alterou em nada minha rotina ou a aplicação da insulina (não dói mais porque a temperatura está mais fria) e nem a própria insulina (não congela, não fica turva, nada disso acontece).

Mais um carimbo no passaporte e mais uma enxurrada de memórias vividas. Termino esse textão com a certeza de que o diabetes não nos limita!


O que não recebi em Agosto


Repeteco de julho em agosto!

O QUE NÃO RECEBI EM AGOSTO

- Fitas de glicemia capilar
Enlite Sensor de glicose MMT 7008A - caixa com 5 unidades e 10 adesivos externos - 1 caixa/mês
Insulina Humalog - 2 frascos

Agulha do Libre

Até hoje, muita gente quando me vê com o Libre no braço pergunta se “dentro do braço tem uma agulha”.

Acho muito graça nessa pergunta, porque antes de ser usuária de bomba de insulina eu também tinha essa mesma dúvida.

E antes que essa dúvida surja de novo, a resposta é não, não tem uma agulha dentro do braço. Mas foi preciso uma agulha para inserir o filamento flexível de 5mm, e este sim fica dentro do braço.

Pra quem nunca viu a agulhinha, tá aí:


Ela é bem mais espessa do que as agulhas de caneta de insulina, isso porque o filamento está dentro dessa agulha. Não dói e depois que a gente aplica, a agulha deve ser descartada. Super simples!

Você sabe o que são “alcohol swabs”?

Sou diabética há 10 anos e podem ter certeza que estou sempre aprendendo coisas novas. Ou coisas velhas que para mim são novas.

A galera que usa o FreeStyle Libre certamente já sabe os que são os “alcohol swabs” ou “pre-injection swabs”.

Isso, meus caros, nada mais é do que aquele pedacinho de uma espécie de gaze banhada a álcool isopropílico 70% que vem em embalagens individuais. Ele serve para limpar, fazer a assepsia da pele antes de aplicarmos insulina (seja através da seringa, caneta ou bomba), antes de furarmos o dedo para medir a glicemia e também antes de instalarmos sensores (seja o Enlite ou Libre).

Acontece que eu, com meus 10 anos de diabetes, desconhecia que isso era vendido dessa forma tão prática, até começar a usar o Libre, pois dentro da caixa do sensor vem 2 pacotinhos desses “swabs”.

Foi então que deu na minha cabeça que eu queria comprar isso para facilitar a higienização da troca de cateter da bomba.

Primeiro, procurei pelo nome que vem no Libre, que é “pre-injection swabs”. Não encontrei no Google nenhum resultado em português, só encontrei à venda no e-bay ou outros sites de farmácias fora do país. A minha dificuldade estava justamente no nome: eu nunca soube como isso era chamado aqui no Brasil. Então comecei pela tradução mais óbvia. Acontece que a tradução de “swab” em português é cotonete. Mais uma vez: não encontrei nenhum resultado para essa pesquisa. Daí tentei pre-injeção, mas o Google só me mostrava resultados de carros (com injeção eletrônica hahaha). Ok Google, desisto.

O plano B era a farmácia. Coloquei em minha lista duas grandes drogarias aqui de BH, bem completas: Araújo e Pacheco. Pelo caminho, entrei primeiro na Pacheco, mostrei o pacotinho que vem no Libre e a atendente também não fazia ideia do que era aquilo. Próxima parada: Araújo. A atendente olhou a embalagem e logo falou: “eu tenho da BD. Dessa marca aí eu não tenho”. Eu pensei: funcionou, porque BD era a marca da agulha que eu usava em minhas canetas, então deve ter tudo a ver com produtos para diabéticos.

Na mosca! Comprei logo a maior caixa, com 100 unidades por R$ 40,00.

Foi então que, lendo a caixa eu descobri como isso é chamado aqui: almofada para assepsia. Fala sério! Eu nunca procuraria por esse nome rsrs

Machucados em diabéticos

Quando eu me tornei diabética, recebi vários avisos, coisas que eu deveria usar ou me preocupar para o resto da vida. Um desses avisos era sobre a dificuldade de cicatrização de um machucado em uma pessoa diabética. Isso porque o excesso de açúcar no sangue afeta a circulação, a capacidade do organismo de combater uma infecção e prejudica o processo de cicatrização.

Lembro-me mais de uma vez ser aconselhada, por diversas pessoas, a parar de fazer a unha, principalmente a dos pés, para evitar que a manicure “tire um bife” e que esse machucado vire um problema.

Desobedecendo o conselho, faço as unhas das mãos e dos pés com frequência e nunca tive nenhum transtorno com isso. Pode ser que o fato de minha manicure ser extremamente profissional e não tirar nenhum “bife”, ajude bastante nisso.

A questão é que nunca havia enfrentado essa batalha contra a cicatrização de machucados, até porque sou uma pessoa que não se machuca com frequência, graças a Deus. Ao contrário de alguns amigos, eu nunca quebrei nenhum osso do corpo, nunca destronquei, torci, desloquei nada! Acho isso sensacional hahaha

Maaaas, em junho desse ano passei por essa fase da “dificuldade de cicatrização em diabéticos”. Devo dizer que me preocupei bastante, mas não fui ao médico por causa disso.

O caso foi o seguinte: tropecei. Pois é, eu sei que é ridículo e bobo, mas foi exatamente isso que aconteceu. Eu estava em uma festa, estava indo embora inclusive, me despedindo de alguns amigos, e sem perceber, tropecei em alguma coisa de pedra que estava no canto, nem sei o que era para falar a verdade.

Dentro do carro, no caminho de volta à minha casa, percebi que minha canela estava latejando e comentei com meu noivo: “Nossa, esse machucado vai ficar roxo, porque está doendo”.

Chegando em casa, fui tirar a meia-calça que estava usando e ela estava toda grudada no machucado, que estava cheio de sangue. No momento que eu tropecei, eu não havia percebido que o machucado tinha sido nesse nível, de sair sangue.

E estava assim:


Lavei, passei merthiolate. Dois dias depois ele estava assim, com essa coisa branca no meio e infeccionado ao redor:


Mais de duas semanas depois, ele ainda estava infeccionado:


Depois de uma mês e meio, eu carrego mais uma cicatriz:


Nada bonito e nunca demorou tanto para que um machucado cicatrizasse. Eu ficava de olho na glicemia, pensando se não eram aqueles momentos de hiper que estavam atrasando a cicatrização.

Difícil essa vida de diabética, viu. Quando a gente acha que já está preparada para as surpresas da DM, vem um bloco de concreto e avacalha sua vida 


O que não recebi em Julho


O QUE NÃO RECEBI EM JULHO


- Fitas de glicemia capilar
Enlite Sensor de glicose MMT 7008A - caixa com 5 unidades e 10 adesivos externos - 1 caixa/mês
Insulina Humalog - 2 frascos

Parece que quando passa da metade do ano, a verba declina. Ano passado, nesse mesmo período, eu só estava recebendo reservatório. E agora começou a faltar mais insumos. Desde o início do ano, esse é o mês que faltou mais insumos.

E para completar, o monopólio da Drogaria Onofre com a venda do FreeStyle Libre tá cada vez pior: o valor do frete dobrou e aumentaram +3 dias úteis no prazo de entrega. Mas eu recebi meu pedido em nada menos do que 10 dias úteis. Isso dá duas semanas, ou seja, deverei efetuar minha próxima compra quando eu iniciar um novo sensor, para que o produto chegue antes de acabar o sensor que estarei usando.

#Vergonha desse país!

O que não recebi em Junho


O QUE NÃO RECEBI EM JUNHO


- Fitas de glicemia capilar

Uma diabética na tirolesa

Autocontrole é tudo nessa vida. Às vezes, minha glicemia se altera, para mais ou para menos, ainda que eu não coma nada. Se fico nervosa, sobe. Se choro, sobe. Se fico muito alegre, desce, e por aí vai.

Independente de qualquer coisa, o importante é não deixar que ninguém diga que, por causa do diabetes, não podemos fazer algumas coisas! Faça tudo que for possível, claro, respeitando o limite de cada um.

Eu por exemplo, me aventurei em uma descida de tirolesa. A preocupação número 1 era não deixar a bomba cair rsrs A preocupação número 2 era com a glicemia, pois quando foi se aproximando o momento de pular, a glicemia começou a cair. Pensa na situação de sofrer uma hipo nas alturas?

Ainda que seja bem rapidinho (a descida demora menos de 1 minuto), pode ser perigoso. Então, quando ainda estava na fila para colocar os equipamentos, eu parei a bomba, ou seja, suspendi o envio de insulina para meu meu corpo. Alguns minutos depois, ela começou a subir lentamente, ficando na casa dos 90.


E a descida foi ótima, dá um friozinho na barriga! E não me arrependo, é só se cuidar que tudo pode ser aproveitado.



Gripou? Não entre em pânico

Sabe o que é pior quando eu fico gripada? É saber que isso vai descontrolar minha glicemia.

A gripe, além de todos aqueles sintomas clássicos super chatos, traz para nós, diabéticos, esse presentinho extra: ela aumenta os níveis de nossa glicemia, bagunçando nosso controle, que cá pra nós, já é difícil demais de fazer, e voilà, temos uma hiperglicemia difícil de domar.

E é comum que isso aconteça, pois nosso corpo começa a trabalhar para eliminar a infecção do organismo e nesse momento, vários hormônios são produzidos. Alguns deles têm impacto direto na glicemia.

O que devemos fazer é continuar tratando a hiperglicemia, somos diabéticos e não podemos esperar que o nosso corpo faça isso sozinho, porque ele não consegue.

Não entre em pânico quando a glicemia não abaixar, mesmo com várias unidades de insulina aplicadas. Eventualmente, ela vai cair, só que precisamos monitorar mais de perto a glicemia para conseguir controlar da melhor forma.

Eu mesma comecei a apresentar sintomas da gripe numa sexta-feira e, de meio-dia à meia-noite, foi impossível controlar minha glicemia. E olha que eu estava com o sensor Enlite, ou seja, eu estava com monitorização contínua da glicose. Mas ela sempre ficava entre 176 e 210. Pensa no desespero que dá ficar 12h com a glicemia acima de 170? Só melhorou no dia seguinte, acordei com ela em jejum 111.


Muito sangue no sensor Enlite

A relação do diabético com sangue é algo constante, é algo que a gente lida no nosso dia a dia: furar a ponta do dedo para conseguir uma gota de sangue e medir a glicemia, aplicar insulina com a agulha, seja da seringa, da caneta ou da bomba e, às vezes, acertar um vasinho e ter como consequência mais uma gotinha de sangue saindo pelo furinho da agulha…

Eu já estou acostumada com sangue, não ligo, não passo mal, não desmaio, nem do cheiro eu reclamo. Porém, minha última experiência instalando o sensor Enlite foi um pouco mais sangrenta complicada do que de costume.

Eu uso o sensor Enlite desde fevereiro de 2014. Óbvio, não uso direto devido à falta de responsabilidade da secretaria de saúde de MG, inclusive, no ano de 2016 eu só usei o Enlite apenas um mês, em abril.

Por isso, eu já estou acostumada a sair um pouco de sangue toda vez que faço a aplicação dele no meu braço. Nada fora do comum. A pressão que o aplicador faz na pele é um pouco forte, então para mim é normal se por acaso sangrar um pouco. Mas dessa vez foi diferente. Teve sangue. Muito sangue. Muito sangue mesmo, saindo pelo sensor, para fora do adesivo.


Meu único medo, na verdade, foi perder o sensor. Achei que ele não iria funcionar, pois a parte do sensor encheu de sangue e está com sangue até hoje. Daqui 6 dias eu troco.

Assim que começou a sair muito sangue, minha irmã, que me ajuda a aplicar, me avisou e disse que nunca tinha visto sair tanto sangue. Eu fui até o espelho para ver a situação, peguei um papel para limpar o sangue e fiz muita pressão. Fiquei uns 15 minutos fazendo pressão para estancar o sangramento. Eu não tinha certeza se ele iria funcionar, mas decidi continuar a aplicação do sensor. No dia seguinte, eu liguei o sensor, calibrei e esperei o resultado ao longo da manhã. Os resultados do sensor na bomba estavam iguais ao do glicosímetro, por isso eu fiquei aliviada e confiei no sensor.

Experiência nada agradável 

O que não recebi em Maio


O QUE NÃO RECEBI EM MAIO

Fitas de glicemia capilar


Dessa vez, até o sensor Enlite eu recebi. Diferente do FreeStyle Libre, o Enlite precisa ser calibrado a cada 12 horas. Isso quer dizer que, a cada 12 horas eu preciso medir minha glicemia com um glicosímetro convencional e digitar o número da glicemia na bomba. Ou seja, mesmo com o sensor Enlite eu preciso de fitas para o glicosímetro e eu não recebi, então precisarei comprar. É mais barato do que comprar o Libre, mas ainda assim é um gasto alto.

11 anos com ele e 10 anos com ela

No dia 28 de abril deste ano, eu e meu noivo completamos 11 juntos. Quando nos conhecemos, eu tinha 18 anos e não tinha diabetes. Éramos apenas mais um casal jovem, normal como tantos outros, curtindo a companhia um do outro.

Um ano depois de nos conhecermos, eu fui diagnosticada e a condição de diabética entrou em minha vida. Em nossas vidas.

Quando eu digo em “nossas” vidas, quero dizer que ele não pulou fora, ele não me abandonou, ele aceitou a condição que eu tinha em minha vida e que a partir daquele momento, se tornou uma condição na vida dele também.

Parece ridículo pensar que uma pessoa deixaria a outra pelo simples fato de que uma delas agora tem diabetes. Mas acredite, não é tão fora do comum como parece.

Um ano depois, ainda éramos um casal jovem, normal como tantos outros, curtindo a companhia um do outro, porém com uma responsabilidade a mais: cuidar da minha condição como diabética.

Eu sei que isso é uma tarefa minha e de mais ninguém. Faço o meu dever o melhor que posso. Às vezes eu falho, mas eu nunca deixei de tentar.

Acontece que, ser diabética não é uma condição isolada, não é uma doença contagiosa e definitivamente não é motivo para se sentir sozinha. Muitas vezes, precisei da ajuda de outras pessoas, principalmente durantes as crises de hipoglicemia.

E por que eu estou falando tudo isso?

Porque é muito bom ter ao seu lado um companheiro de verdade, uma pessoa que entende, compreende e sabe lidar com os imprevistos do diabetes. Uma pessoa que não é diabética, mas entende a linguagem única dos diabéticos. Se você é diabético, sabe o que é uma hipo, uma hiper, glicemia, correção, sensor... não é mesmo? Já reparou que pessoas que não estão inseridas no “mundo dos diabéticos” não fazem ideia do que significa essas palavras?

Essa condição só é um fardo se você fizer dela um fardo. Meu noivo por exemplo, tem uma grande responsabilidade sobre mim, perante minha família. Todas as vezes em que viajamos/estamos sozinhos, é com ele que minha família conta para cuidar de mim se eu tiver uma crise de hipoglicemia, se faltar insulina, se precisar que alguém aplique insulina em mim, se a glicemia estiver descompensada… E isso é sim uma grande responsabilidade na vida de uma pessoa que não tem diabetes.

Por esse e por vários outros motivos é que eu acredito que a gente precisa demonstrar o quão importante uma pessoa é em nossa vida. Para comemorar nossos 11 anos juntos, preparei uma cesta toda personalizada: criei um novo rótulo para o vinho, usando nossos nomes. Fiz um adesivo para as taças e também colei esse adesivo nos bolinhos e coloquei mini velinhas. Fiz um chalkboard, uma espécie de quadro negro, com a nossa história, quase um infográfico. Ficou lindo rsrs






Tudo pensado e feito com muito carinho, para alguém que é muito importante em minha vida.

Saímos para jantar em um restaurante italiano, então o cardápio era puro carboidrato hahaha. E claro, glicemia controlada a noite toda, para não estragar a comemoração.



11 anos de relacionamento com ele e 10 anos de relacionamento com essa minha condição como diabética.


Arrebentou o fio da bomba!

Desde outubro de 2014 eu uso a bomba de insulina como tratamento para o diabetes, que insiste em me fazer companhia há dez anos.

Durante todo esse tempo com minha verdadeira companheira, a bomba de insulina, eu já passei por várias situações e a que mais se repete é quando a cânula do cateter dobra dentro do subcutâneo e a bomba não consegue mandar insulina para o corpo. Ainda sendo o evento que mais se repete, consigo contar nos dedos as vezes que isso aconteceu.

Pois bem, na última segunda-feira tive uma surpresinha ao acordar para trabalhar: o fio do cateter arrebentou enquanto eu dormia.

Eu sempre fui inquieta para dormir, às vezes eu acordo com a bomba toda enrolada nas minhas pernas ou na minha cintura, ou então o fio dá um nó durante a noite. Enfim, nada que tenha atrapalhado de fato o resultado da minha glicemia.

Mas a segunda-feira não começou muito bem.

Todo santo dia, às 3h da madruga, eu acordo para verificar a glicemia. Existe um alarme fixo em meu celular para despertar a essa hora. Na madrugada de domingo para segunda, como sempre, acordei às 3h e a glicemia estava se comportando, na casa dos 150. Depois disso, só acordei novamente às 7h, para ir trabalhar. Pasmem, a glicemia estava quase 400.

Pensei: “o que diabos eu comi para ela subir tanto assim. Que delay!”. Ainda deitada, apliquei o bolus de correção, que foram mais ou menos umas 7 unidades de insulina. Desci da cama e senti que minha perna estava molhada (o cateter estava na perna esquerda). Achei estranho, mas nem passou pela minha cabeça que era insulina. O fio estava meio embolado em volta da bomba, por isso fui só dar uma ajeitadinha esticando o fio e.... estava arrebentado! Por isso a insulina estava sendo jogada toda fora (que desperdício!).

Nesse momento não há outra coisa a se fazer, foi preciso tirar a insulina da geladeira e trocar todo o conjunto da bomba.

O grande problema é que isso reflete no controle da glicemia no restante do dia. Ela fica um pouco descompensada e até voltar aos eixos, demora um pouco.

A minha glicemia neste dia, por exemplo, ficou a manhã inteira alta: de 400 caiu para 350. Mais bolus de correção e ela caiu para 220. Mais bolus de correção e quando ela finalmente chegou em 140, eu estava na academia e tive uma crise de hipo durante a aula e precisei interromper o treino. No resto do dia tive mais 2 hipos, quase seguidas. 

Enfim, dia não muito bom para o controle, mas a vida de diabético é assim mesmo, cheia de altos e baixos. É levantar a cabeça e começar tudo de novo, com a certeza de que é possível fazer o meu melhor hoje.

Meu Libre e minha nova tattoo


Há um tempo, eu já estava com a ideia de fazer uma nova tatuagem. Já tinha escolhido o desenho e já tinha escolhido o lugar: a parte posterior do braço. Porém, não conseguia ter certeza do lugar por causa do sensor Libre, que deve ser instalado justamente nesse local. Passei vários meses considerando outras partes do corpo para tatuar, mas toda vez que eu pensava em mudar de lugar, minha cabeça pensava: não é aí que eu quero minha tattoo, é no braço.

Pois bem, entendi de uma vez por todas que não iria abrir mão do local e então, no dia de tatuar, calculei direitinho o espaço que a tattoo iria ocupar, de forma que sobrasse um espaço para o Libre no meu braço esquerdo.

Você pode questionar: é fácil resolver, é só colocar o sensor do Libre no outro braço ou em outro lugar do corpo específico para o rodízio.

Só que a resposta não é tão simples assim como parece. Em primeiro lugar, sim, logo após fazer a tattoo, eu estava usando o sensor do Libre apenas no braço direito, fiz isso por dois meses seguidos, mas é preciso deixar ele descansar também. Não é só o furo, desgasta muito a pele ao redor do sensor, com as várias trocas de adesivo que faço. Em segundo lugar, a própria Abbott, fabricante do FreeStyle Libre NÃO RECOMENDA que o sensor seja instalado em outro local do corpo. Já vi algumas blogueiras colocando o Libre no glúteo, no abdômen. Resolvi enviar um e-mail para a Abbott e obtive a resposta de forma bem clara: “... não recomendamos que seja utilizado em outras partes do corpo, pois não temos estudos nem testes realizados com o sensor em outras partes”.


Então, meus caros, o Libre fica na parte posterior do braço sim e não inventem moda!

No início era impossível usar o Libre no mesmo braço que eu havia feito a tattoo, por motivos de cicatrização.

Hoje, depois que minha tattoo completa 2 meses, resolvi instalar o Libre no espacinho destinado a ele, e ficou perfeito! É muito amor envolvido: muito amor pela minha nova tattoo e muito amor pelo meu Libre.

It’s rainig love


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