Gripou? Não entre em pânico

Sabe o que é pior quando eu fico gripada? É saber que isso vai descontrolar minha glicemia.

A gripe, além de todos aqueles sintomas clássicos super chatos, traz para nós, diabéticos, esse presentinho extra: ela aumenta os níveis de nossa glicemia, bagunçando nosso controle, que cá pra nós, já é difícil demais de fazer, e voilà, temos uma hiperglicemia difícil de domar.

E é comum que isso aconteça, pois nosso corpo começa a trabalhar para eliminar a infecção do organismo e nesse momento, vários hormônios são produzidos. Alguns deles têm impacto direto na glicemia.

O que devemos fazer é continuar tratando a hiperglicemia, somos diabéticos e não podemos esperar que o nosso corpo faça isso sozinho, porque ele não consegue.

Não entre em pânico quando a glicemia não abaixar, mesmo com várias unidades de insulina aplicadas. Eventualmente, ela vai cair, só que precisamos monitorar mais de perto a glicemia para conseguir controlar da melhor forma.

Eu mesma comecei a apresentar sintomas da gripe numa sexta-feira e, de meio-dia à meia-noite, foi impossível controlar minha glicemia. E olha que eu estava com o sensor Enlite, ou seja, eu estava com monitorização contínua da glicose. Mas ela sempre ficava entre 176 e 210. Pensa no desespero que dá ficar 12h com a glicemia acima de 170? Só melhorou no dia seguinte, acordei com ela em jejum 111.


Muito sangue no sensor Enlite

A relação do diabético com sangue é algo constante, é algo que a gente lida no nosso dia a dia: furar a ponta do dedo para conseguir uma gota de sangue e medir a glicemia, aplicar insulina com a agulha, seja da seringa, da caneta ou da bomba e, às vezes, acertar um vasinho e ter como consequência mais uma gotinha de sangue saindo pelo furinho da agulha…

Eu já estou acostumada com sangue, não ligo, não passo mal, não desmaio, nem do cheiro eu reclamo. Porém, minha última experiência instalando o sensor Enlite foi um pouco mais sangrenta complicada do que de costume.

Eu uso o sensor Enlite desde fevereiro de 2014. Óbvio, não uso direto devido à falta de responsabilidade da secretaria de saúde de MG, inclusive, no ano de 2016 eu só usei o Enlite apenas um mês, em abril.

Por isso, eu já estou acostumada a sair um pouco de sangue toda vez que faço a aplicação dele no meu braço. Nada fora do comum. A pressão que o aplicador faz na pele é um pouco forte, então para mim é normal se por acaso sangrar um pouco. Mas dessa vez foi diferente. Teve sangue. Muito sangue. Muito sangue mesmo, saindo pelo sensor, para fora do adesivo.


Meu único medo, na verdade, foi perder o sensor. Achei que ele não iria funcionar, pois a parte do sensor encheu de sangue e está com sangue até hoje. Daqui 6 dias eu troco.

Assim que começou a sair muito sangue, minha irmã, que me ajuda a aplicar, me avisou e disse que nunca tinha visto sair tanto sangue. Eu fui até o espelho para ver a situação, peguei um papel para limpar o sangue e fiz muita pressão. Fiquei uns 15 minutos fazendo pressão para estancar o sangramento. Eu não tinha certeza se ele iria funcionar, mas decidi continuar a aplicação do sensor. No dia seguinte, eu liguei o sensor, calibrei e esperei o resultado ao longo da manhã. Os resultados do sensor na bomba estavam iguais ao do glicosímetro, por isso eu fiquei aliviada e confiei no sensor.

Experiência nada agradável 

O que não recebi em Maio


O QUE NÃO RECEBI EM MAIO

Fitas de glicemia capilar


Dessa vez, até o sensor Enlite eu recebi. Diferente do FreeStyle Libre, o Enlite precisa ser calibrado a cada 12 horas. Isso quer dizer que, a cada 12 horas eu preciso medir minha glicemia com um glicosímetro convencional e digitar o número da glicemia na bomba. Ou seja, mesmo com o sensor Enlite eu preciso de fitas para o glicosímetro e eu não recebi, então precisarei comprar. É mais barato do que comprar o Libre, mas ainda assim é um gasto alto.

11 anos com ele e 10 anos com ela

No dia 28 de abril deste ano, eu e meu noivo completamos 11 juntos. Quando nos conhecemos, eu tinha 18 anos e não tinha diabetes. Éramos apenas mais um casal jovem, normal como tantos outros, curtindo a companhia um do outro.

Um ano depois de nos conhecermos, eu fui diagnosticada e a condição de diabética entrou em minha vida. Em nossas vidas.

Quando eu digo em “nossas” vidas, quero dizer que ele não pulou fora, ele não me abandonou, ele aceitou a condição que eu tinha em minha vida e que a partir daquele momento, se tornou uma condição na vida dele também.

Parece ridículo pensar que uma pessoa deixaria a outra pelo simples fato de que uma delas agora tem diabetes. Mas acredite, não é tão fora do comum como parece.

Um ano depois, ainda éramos um casal jovem, normal como tantos outros, curtindo a companhia um do outro, porém com uma responsabilidade a mais: cuidar da minha condição como diabética.

Eu sei que isso é uma tarefa minha e de mais ninguém. Faço o meu dever o melhor que posso. Às vezes eu falho, mas eu nunca deixei de tentar.

Acontece que, ser diabética não é uma condição isolada, não é uma doença contagiosa e definitivamente não é motivo para se sentir sozinha. Muitas vezes, precisei da ajuda de outras pessoas, principalmente durantes as crises de hipoglicemia.

E por que eu estou falando tudo isso?

Porque é muito bom ter ao seu lado um companheiro de verdade, uma pessoa que entende, compreende e sabe lidar com os imprevistos do diabetes. Uma pessoa que não é diabética, mas entende a linguagem única dos diabéticos. Se você é diabético, sabe o que é uma hipo, uma hiper, glicemia, correção, sensor... não é mesmo? Já reparou que pessoas que não estão inseridas no “mundo dos diabéticos” não fazem ideia do que significa essas palavras?

Essa condição só é um fardo se você fizer dela um fardo. Meu noivo por exemplo, tem uma grande responsabilidade sobre mim, perante minha família. Todas as vezes em que viajamos/estamos sozinhos, é com ele que minha família conta para cuidar de mim se eu tiver uma crise de hipoglicemia, se faltar insulina, se precisar que alguém aplique insulina em mim, se a glicemia estiver descompensada… E isso é sim uma grande responsabilidade na vida de uma pessoa que não tem diabetes.

Por esse e por vários outros motivos é que eu acredito que a gente precisa demonstrar o quão importante uma pessoa é em nossa vida. Para comemorar nossos 11 anos juntos, preparei uma cesta toda personalizada: criei um novo rótulo para o vinho, usando nossos nomes. Fiz um adesivo para as taças e também colei esse adesivo nos bolinhos e coloquei mini velinhas. Fiz um chalkboard, uma espécie de quadro negro, com a nossa história, quase um infográfico. Ficou lindo rsrs






Tudo pensado e feito com muito carinho, para alguém que é muito importante em minha vida.

Saímos para jantar em um restaurante italiano, então o cardápio era puro carboidrato hahaha. E claro, glicemia controlada a noite toda, para não estragar a comemoração.



11 anos de relacionamento com ele e 10 anos de relacionamento com essa minha condição como diabética.


Arrebentou o fio da bomba!

Desde outubro de 2014 eu uso a bomba de insulina como tratamento para o diabetes, que insiste em me fazer companhia há dez anos.

Durante todo esse tempo com minha verdadeira companheira, a bomba de insulina, eu já passei por várias situações e a que mais se repete é quando a cânula do cateter dobra dentro do subcutâneo e a bomba não consegue mandar insulina para o corpo. Ainda sendo o evento que mais se repete, consigo contar nos dedos as vezes que isso aconteceu.

Pois bem, na última segunda-feira tive uma surpresinha ao acordar para trabalhar: o fio do cateter arrebentou enquanto eu dormia.

Eu sempre fui inquieta para dormir, às vezes eu acordo com a bomba toda enrolada nas minhas pernas ou na minha cintura, ou então o fio dá um nó durante a noite. Enfim, nada que tenha atrapalhado de fato o resultado da minha glicemia.

Mas a segunda-feira não começou muito bem.

Todo santo dia, às 3h da madruga, eu acordo para verificar a glicemia. Existe um alarme fixo em meu celular para despertar a essa hora. Na madrugada de domingo para segunda, como sempre, acordei às 3h e a glicemia estava se comportando, na casa dos 150. Depois disso, só acordei novamente às 7h, para ir trabalhar. Pasmem, a glicemia estava quase 400.

Pensei: “o que diabos eu comi para ela subir tanto assim. Que delay!”. Ainda deitada, apliquei o bolus de correção, que foram mais ou menos umas 7 unidades de insulina. Desci da cama e senti que minha perna estava molhada (o cateter estava na perna esquerda). Achei estranho, mas nem passou pela minha cabeça que era insulina. O fio estava meio embolado em volta da bomba, por isso fui só dar uma ajeitadinha esticando o fio e.... estava arrebentado! Por isso a insulina estava sendo jogada toda fora (que desperdício!).

Nesse momento não há outra coisa a se fazer, foi preciso tirar a insulina da geladeira e trocar todo o conjunto da bomba.

O grande problema é que isso reflete no controle da glicemia no restante do dia. Ela fica um pouco descompensada e até voltar aos eixos, demora um pouco.

A minha glicemia neste dia, por exemplo, ficou a manhã inteira alta: de 400 caiu para 350. Mais bolus de correção e ela caiu para 220. Mais bolus de correção e quando ela finalmente chegou em 140, eu estava na academia e tive uma crise de hipo durante a aula e precisei interromper o treino. No resto do dia tive mais 2 hipos, quase seguidas. 

Enfim, dia não muito bom para o controle, mas a vida de diabético é assim mesmo, cheia de altos e baixos. É levantar a cabeça e começar tudo de novo, com a certeza de que é possível fazer o meu melhor hoje.

Receber via email

Digite seu endereço de email:

Delivered by FeedBurner

Voltar ao topo