11 anos com ele e 10 anos com ela

No dia 28 de abril deste ano, eu e meu noivo completamos 11 juntos. Quando nos conhecemos, eu tinha 18 anos e não tinha diabetes. Éramos apenas mais um casal jovem, normal como tantos outros, curtindo a companhia um do outro.

Um ano depois de nos conhecermos, eu fui diagnosticada e a condição de diabética entrou em minha vida. Em nossas vidas.

Quando eu digo em “nossas” vidas, quero dizer que ele não pulou fora, ele não me abandonou, ele aceitou a condição que eu tinha em minha vida e que a partir daquele momento, se tornou uma condição na vida dele também.

Parece ridículo pensar que uma pessoa deixaria a outra pelo simples fato de que uma delas agora tem diabetes. Mas acredite, não é tão fora do comum como parece.

Um ano depois, ainda éramos um casal jovem, normal como tantos outros, curtindo a companhia um do outro, porém com uma responsabilidade a mais: cuidar da minha condição como diabética.

Eu sei que isso é uma tarefa minha e de mais ninguém. Faço o meu dever o melhor que posso. Às vezes eu falho, mas eu nunca deixei de tentar.

Acontece que, ser diabética não é uma condição isolada, não é uma doença contagiosa e definitivamente não é motivo para se sentir sozinha. Muitas vezes, precisei da ajuda de outras pessoas, principalmente durantes as crises de hipoglicemia.

E por que eu estou falando tudo isso?

Porque é muito bom ter ao seu lado um companheiro de verdade, uma pessoa que entende, compreende e sabe lidar com os imprevistos do diabetes. Uma pessoa que não é diabética, mas entende a linguagem única dos diabéticos. Se você é diabético, sabe o que é uma hipo, uma hiper, glicemia, correção, sensor... não é mesmo? Já reparou que pessoas que não estão inseridas no “mundo dos diabéticos” não fazem ideia do que significa essas palavras?

Essa condição só é um fardo se você fizer dela um fardo. Meu noivo por exemplo, tem uma grande responsabilidade sobre mim, perante minha família. Todas as vezes em que viajamos/estamos sozinhos, é com ele que minha família conta para cuidar de mim se eu tiver uma crise de hipoglicemia, se faltar insulina, se precisar que alguém aplique insulina em mim, se a glicemia estiver descompensada… E isso é sim uma grande responsabilidade na vida de uma pessoa que não tem diabetes.

Por esse e por vários outros motivos é que eu acredito que a gente precisa demonstrar o quão importante uma pessoa é em nossa vida. Para comemorar nossos 11 anos juntos, preparei uma cesta toda personalizada: criei um novo rótulo para o vinho, usando nossos nomes. Fiz um adesivo para as taças e também colei esse adesivo nos bolinhos e coloquei mini velinhas. Fiz um chalkboard, uma espécie de quadro negro, com a nossa história, quase um infográfico. Ficou lindo rsrs






Tudo pensado e feito com muito carinho, para alguém que é muito importante em minha vida.

Saímos para jantar em um restaurante italiano, então o cardápio era puro carboidrato hahaha. E claro, glicemia controlada a noite toda, para não estragar a comemoração.



11 anos de relacionamento com ele e 10 anos de relacionamento com essa minha condição como diabética.


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