Agulha do Libre

Até hoje, muita gente quando me vê com o Libre no braço pergunta se “dentro do braço tem uma agulha”.

Acho muito graça nessa pergunta, porque antes de ser usuária de bomba de insulina eu também tinha essa mesma dúvida.

E antes que essa dúvida surja de novo, a resposta é não, não tem uma agulha dentro do braço. Mas foi preciso uma agulha para inserir o filamento flexível de 5mm, e este sim fica dentro do braço.

Pra quem nunca viu a agulhinha, tá aí:


Ela é bem mais espessa do que as agulhas de caneta de insulina, isso porque o filamento está dentro dessa agulha. Não dói e depois que a gente aplica, a agulha deve ser descartada. Super simples!

Você sabe o que são “alcohol swabs”?

Sou diabética há 10 anos e podem ter certeza que estou sempre aprendendo coisas novas. Ou coisas velhas que para mim são novas.

A galera que usa o FreeStyle Libre certamente já sabe os que são os “alcohol swabs” ou “pre-injection swabs”.

Isso, meus caros, nada mais é do que aquele pedacinho de uma espécie de gaze banhada a álcool isopropílico 70% que vem em embalagens individuais. Ele serve para limpar, fazer a assepsia da pele antes de aplicarmos insulina (seja através da seringa, caneta ou bomba), antes de furarmos o dedo para medir a glicemia e também antes de instalarmos sensores (seja o Enlite ou Libre).

Acontece que eu, com meus 10 anos de diabetes, desconhecia que isso era vendido dessa forma tão prática, até começar a usar o Libre, pois dentro da caixa do sensor vem 2 pacotinhos desses “swabs”.

Foi então que deu na minha cabeça que eu queria comprar isso para facilitar a higienização da troca de cateter da bomba.

Primeiro, procurei pelo nome que vem no Libre, que é “pre-injection swabs”. Não encontrei no Google nenhum resultado em português, só encontrei à venda no e-bay ou outros sites de farmácias fora do país. A minha dificuldade estava justamente no nome: eu nunca soube como isso era chamado aqui no Brasil. Então comecei pela tradução mais óbvia. Acontece que a tradução de “swab” em português é cotonete. Mais uma vez: não encontrei nenhum resultado para essa pesquisa. Daí tentei pre-injeção, mas o Google só me mostrava resultados de carros (com injeção eletrônica hahaha). Ok Google, desisto.

O plano B era a farmácia. Coloquei em minha lista duas grandes drogarias aqui de BH, bem completas: Araújo e Pacheco. Pelo caminho, entrei primeiro na Pacheco, mostrei o pacotinho que vem no Libre e a atendente também não fazia ideia do que era aquilo. Próxima parada: Araújo. A atendente olhou a embalagem e logo falou: “eu tenho da BD. Dessa marca aí eu não tenho”. Eu pensei: funcionou, porque BD era a marca da agulha que eu usava em minhas canetas, então deve ter tudo a ver com produtos para diabéticos.

Na mosca! Comprei logo a maior caixa, com 100 unidades por R$ 40,00.

Foi então que, lendo a caixa eu descobri como isso é chamado aqui: almofada para assepsia. Fala sério! Eu nunca procuraria por esse nome rsrs

Machucados em diabéticos

Quando eu me tornei diabética, recebi vários avisos, coisas que eu deveria usar ou me preocupar para o resto da vida. Um desses avisos era sobre a dificuldade de cicatrização de um machucado em uma pessoa diabética. Isso porque o excesso de açúcar no sangue afeta a circulação, a capacidade do organismo de combater uma infecção e prejudica o processo de cicatrização.

Lembro-me mais de uma vez ser aconselhada, por diversas pessoas, a parar de fazer a unha, principalmente a dos pés, para evitar que a manicure “tire um bife” e que esse machucado vire um problema.

Desobedecendo o conselho, faço as unhas das mãos e dos pés com frequência e nunca tive nenhum transtorno com isso. Pode ser que o fato de minha manicure ser extremamente profissional e não tirar nenhum “bife”, ajude bastante nisso.

A questão é que nunca havia enfrentado essa batalha contra a cicatrização de machucados, até porque sou uma pessoa que não se machuca com frequência, graças a Deus. Ao contrário de alguns amigos, eu nunca quebrei nenhum osso do corpo, nunca destronquei, torci, desloquei nada! Acho isso sensacional hahaha

Maaaas, em junho desse ano passei por essa fase da “dificuldade de cicatrização em diabéticos”. Devo dizer que me preocupei bastante, mas não fui ao médico por causa disso.

O caso foi o seguinte: tropecei. Pois é, eu sei que é ridículo e bobo, mas foi exatamente isso que aconteceu. Eu estava em uma festa, estava indo embora inclusive, me despedindo de alguns amigos, e sem perceber, tropecei em alguma coisa de pedra que estava no canto, nem sei o que era para falar a verdade.

Dentro do carro, no caminho de volta à minha casa, percebi que minha canela estava latejando e comentei com meu noivo: “Nossa, esse machucado vai ficar roxo, porque está doendo”.

Chegando em casa, fui tirar a meia-calça que estava usando e ela estava toda grudada no machucado, que estava cheio de sangue. No momento que eu tropecei, eu não havia percebido que o machucado tinha sido nesse nível, de sair sangue.

E estava assim:


Lavei, passei merthiolate. Dois dias depois ele estava assim, com essa coisa branca no meio e infeccionado ao redor:


Mais de duas semanas depois, ele ainda estava infeccionado:


Depois de uma mês e meio, eu carrego mais uma cicatriz:


Nada bonito e nunca demorou tanto para que um machucado cicatrizasse. Eu ficava de olho na glicemia, pensando se não eram aqueles momentos de hiper que estavam atrasando a cicatrização.

Difícil essa vida de diabética, viu. Quando a gente acha que já está preparada para as surpresas da DM, vem um bloco de concreto e avacalha sua vida 


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