33ª Colônia Diabetes Weekend

Ano 2007. Eu tinha acabado de receber o diagnóstico de que eu tinha Diabetes tipo 1. Como todo curioso, após o diagnóstico fui procurar mais informações na internet sobre diabetes. Foi então que eu me deparei com a colônia Diabetes Weekend pela primeira vez.

Vi as fotos e achei o máximo. Queria participar, mas a taxa de inscrição era muito cara (algo em torno de R$300,00 na época) e naquele tempo eu ainda não trabalhava. Sem chance de eu pedir R$300,00 pro meu pai para eu ir a uma colônia para diabéticos, e como eu também sou um pouco antissocial, com o tempo eu deixei essa ideia de colônia para lá.

Este ano, mais uma vez me deparei com a colônia Diabetes Weekend navegando pela internet, e o fato da 33ª edição ser realizada no hotel resort Tauá, em Caeté, me fez ter a mesma vontade que tive em 2007. Dessa vez, 9 anos depois, já adulta, trabalhando e bem resolvida, eu fui.





É outro mundo. Um mundo onde você fala hipo, hiper, Libre, glicemia, bolus, glargina, correção, Lantus, glicada, basal… e todo mundo entende exatamente o que você está falando. E ainda interage com você.

Saímos de BH na sexta-feira à noite e chegamos bem tarde no resort (o motorista do ônibus errou o caminho). Qual não foi a minha surpresa ao perceber que na fila para servir o jantar, todos os braços tinham uma bolinha branca grudada na parte de trás. No cós das calças estavam as bombas de insulina, sem necessidade de serem escondidas nas roupas. Em cima de todas as mesas tinham estojos de canetas de insulina. Alguns se sentavam à mesa e antes de comer aplicavam insulina no braço ou no abdômen, sem vergonha alguma.

Pensei que eu estava em Pancreaslândia, um mundo onde só tinham diabéticos e a sensação de não ser a única, de não estar sozinha, era sensacional.


A colônia

Somente diabéticos, carinhosamente chamados de DMs, podiam participar. Tinha mais de 100 DMs, além da equipe médica responsável pela colônia. Gente de todas as idades, de crianças de 8 anos até uma turminha mais velha, de mais ou menos uns 50 anos. A minha percepção é que a grande maioria estava na faixa etária entre 16 e 20 anos. 

Cronograma

A gente só fica sabendo das atividades quando chega ao hotel. O cronograma de atividades teve início no sábado.

Sempre 30 minutos antes das refeições, a gente descia para o restaurante para medir a glicemia com os monitores que ficavam sentados em uma longa mesa. Eles anotavam os números em nossa ficha e logo depois a refeição era servida.


De manhã percorremos uma trilha leve. Na minha opinião, foi um dos melhores momentos, ficar ao ar livre traz sempre uma sensação muito boa, apesar de que o tempo lá em Caeté não ajudou muito: o sol não apareceu, é um lugar bem frio e de manhã sempre garoava. Ainda assim: energias boas com essa trilha.






De tarde, fizemos umas atividades dentro dos auditórios do resort: dinâmicas, mini palestras sobre 5 áreas importantes para o cuidado com o diabetes: enfermagem, medicina, educação física e fisioterapia, nutrição e psicologia.

A festa

No sábado à noite teve a festa com o tema Halloween. Minhas companheiras DMs de quarto também se fantasiaram de bruxinhas, assim como eu.

Gente, a festa foi festa mesmo, com música, refri, comida. E não era nada de saladinha light, era tipo comida americana, no cardápio tinha sanduíches no estilo self service, cada um montando o seu e duas opções de macarrão: um integral e o outro sem glúten, pra galera que, além de diabetes, também tinha intolerância ao glúten (fiquei boba com o tanto de gente). Cada um comeu o que quis, contou seus carboidratos e aplicou insulina. Meu mundo s2.

Também teve apresentação do teatro que cada grupo montou e os DMs do grupo vencedor ganharam um FreeStyle Libre. Olha que prêmio sensacional! Obs.: não, eu não ganhei o Libre, meu grupo ficou em 3º lugar.







O domingo foi um dia mais livre, sem tantas atividades programadas. Além de conhecer outros DMs, conheci também produtos novos, como o Glucerna. Achei delícia demais!



O aprendizado

Nem sei por onde começar a contar. São tantas histórias diferentes que escutei, algumas tristes outras alegres, mas sempre de superação. Cada DM com um tratamento específico, bomba, caneta, seringa. A quantidade de hipoglicemias que presenciei, mais uma vez me fez sentir que eu não era a única que passava por isso. Com orgulho digo que só tive uma única hipo na colônia, isso porque a plaquinha da torta de limão indicava 20g de CHO, e claramente não era, pois 2 horas mais tarde minha glicemia bateria no 44 mg/dL, e faz tempo que não tenho essas hipoglicemias abaixo de 55.

Olha aí mais um aprendizado: se ficar com a impressão de que a quantidade de CHO indicada vai demandar uma dose muito grande insulina, não aplique a dose toda. Nesse caso, é preferível pecar pela falta do que pelo excesso. É só ficar de olho e se for preciso, corrigir mais tarde.

Conheci pessoas de toda parte do Brasil, pessoas recém-diagnosticadas, pessoas com mais tempo de diabetes do que eu tenho de idade, pessoas que não sabiam o que era bomba de insulina, pessoas que não fazem contagem de carboidratos, pessoas que tiveram diabulimia, pessoas que sofrem hoje as consequências de não se tratarem desde cedo, pessoas com medo do futuro com diabetes, pessoas que nunca tiveram cetoacidose diabética, pessoas confiantes e que se cuidam, pessoas que não sentem vergonha em serem diabéticos.

É uma bagagem grande, são pessoas que, assim como eu, quebram tabus diários para provar que é completamente possível conviver bem com o diabetes!



Outra coisa que me fez esquecer completamente da minha vida real fora da colônia foi ver tanta gente usando bomba de insulina. Quanto amor! Bombas de modelos diferentes e várias cores. Como é bom se sentir parte de algo, a caminhada fica mais fácil quando a gente percebe que não está sozinho.

E pra finalizar esse fim de semana maravilhoso, uma foto show de bola só com os bombados da colônia Diabetes Weekend!



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