5 mitos sobre diabetes

dezembro 05, 2018


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Ainda que o acesso à informação esteja cada vez mais facilitado, os mitos sobre o diabetes ainda permanecem no dia-a-dia de todo mundo, principalmente de nós, diabéticos. É cada afirmação errada que as pessoas teimam em acreditar, sem procurar se informar se aquilo é verdade ou não. É a era da fake news, né galera!

Por isso, hoje eu quero falar sobre 5 mitos do diabetes, que as pessoas têm certeza que são verdades, mas não são! Confere aí:

1. Diabéticos podem comer somente produtos diet

Aprender a ler rótulos deve ser um “poder especial” de quem tem diabetes. Produtos diet não têm açúcar, mas alguns deles pode ter sim carboidratos. Além disso, produtos diet costumam ter um teor elevado de gordura saturada e até de calorias! 

Então alguns produtos diet, eu particularmente considero uma cilada, como o chocolate, por exemplo. Os chocolates diet têm quase o mesmo tanto de carboidratos (carboidratos, não açúcares) que um chocolate equivalente que não é diet. Porém, a versão diet tem muito mais gordura e sódio. No fim das contas, a dose de insulina será quase a mesma. 

Diferente do caso dos refrigerantes: as versões comum são lotadas de açúcares, quanto a versão diet tem zero carboidrato (e muito mais sódio). Mas a quantidade de insulina é infinitamente diferente.

2. Diabéticos podem comer frutas à vontade

Por mais que sejam saudáveis, comer frutas à vontade é um erro, pois grande parte das frutas são ricas em carboidratos (frutose, que é responsável por deixar a fruta tão docinha). 

Além da frutose, algumas frutas ainda possuem um índice glicêmico altíssimo (índice glicêmico é a velocidade em que o açúcar atinge o sangue). Portanto, nada de fruta à vontade. Cada uma tem uma quantidade de carboidrato e precisamos sim de insulina para cobrir a frutose ingerida.

3. Diabéticos não podem comer doces

Quem disse isso? Por mais que seja um grande mito, é a frase mais marcante na cabeça de todo mundo que não tem diabetes. É um senso comum disseminado há anos e que deve ser esclarecido: diabéticos podem comer doces, desde que façam a contagem de carboidratos da forma certa e apliquem a dose de insulina necessária. 

Ahhh, então posso comer a mesa de doces inteira da festa? Claro que não! Doces são alimentos não saudáveis e por isso não devem ser consumidos em excesso e nem com frequência por ninguém. Mas que de vez em quando dá vontade de comer um docinho, ah isso dá!

4. Canela controla a glicemia

Não existe nenhum estudo científico que comprove tal milagre. É só dar um Google que irão aparecer milhares de páginas afirmando que a canela controla os índices glicêmicos, mas sem embasamento ou estudo algum. E grande parte dessas páginas também fala: “O uso da canela pode ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue, mas os medicamentos para o controle da doença não devem deixar de ser tomados”. Ou seja: mito. Fico com minha boa amiga insulina, pois ela controla de verdade minha glicemia.

5. Diabetes tipo 1 é o pior tipo de diabetes

Não existe pior ou melhor, ou menos ruim e mais ruim. O diabetes é uma doença séria, que mata! É uma doença que eleva os níveis da glicose no sangue, em toda as suas variações: tipo 1, tipo 2, LADA, gestacional… Então não se engane, quem tem diabetes, independente do tipo, precisa de medicação, alimentação saudável, atividade física e saúde mental para lidar com ela. Não caia nessa, do “tipo pior”, cada uma tem seu tratamento específico.

BÔNUS

6. Diabéticos não podem consumir álcool

Sim, podemos sim, com moderação. Mas é fácil controlar a glicemia quando tem álcool envolvido? Não, não é. Porque depende muito da bebida. 

Bebidas destiladas como vodka ou whisky tendem a baixar a glicemia. A cerveja tende a aumentar a glicemia, porque é fermentada à base de glicose, então tem uma grande quantidade de açúcar. O vinho, se for seco, não atrapalha tanto, mas se for doce, sobe muito. E complica mais um pouco: as bebidas destiladas geralmente são misturadas com frutas, leite condensado ou outras coisas doces com carboidrato. Daí tem um mix entre subir a glicemia por causa de todas essas coisas adicionadas à bebida e, depois, a queda da glicemia porque o álcool tende a fazer isso. Adicione comida a isso. Porque consumir álcool sem comer, nem pensar! 

Viu como não é tão fácil assim? E uma regra: monitorar de forma mais rígida a glicemia durante todo o período em que estiver consumindo álcool. É importante saber se os níveis estão subindo ou caindo. 

“Ué, então diabéticos realmente não podem consumir álcool!”. Mentira gente, claro que pode, mas monitore, não exagere na dose se conheça primeiro. Vou dar um exemplo: eu não bebo cerveja, mas bebo a tal Skol beats (que tem vodka na fórmula). Quando ela foi lançada, bebi 5 latas, deu ruim: glicemia subiu muito e fiquei bem bêbada. Na próxima, diminuí para 2 latas. Não fiquei bêbada e a glicemia ficou próxima dos 200mg/dL, ou seja, acertei a quantidade de consumo, mas não a quantidade de insulina. Na vez seguinte, já acertei a dose de insulina, ficou tudo controlado e hoje eu sei exatamente o quanto consumir e qual a dose correta para manter a glicemia na meta. 

Tá vendo? Autoconhecimento conta muito.

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Bomba de insulina


Em 2014 comecei uma nova vida com a bomba de insulina. Liberdade, escolhas, descobertas. Vem conhecer um pouco mais sobre esse tratamento!

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